quarta-feira, março 21, 2007

APENAS COMPLEMENTANDO

Depois que fiz o post hoje sobre a discriminação e toquei no assunto, que cada um de nós deveria rever, olhar para sí, para verificar se não estamos nós sendo preconceituosos e discriminando pessoas, muitas vezes ao nosso lado, sem que nem percebamos, recebí este comentário do amigo Lord, e resolvi complementar só para ilustrar uma situação que qualquer um de nós pode viver, sendo agente ou paciente.
O comentário:

Lord Broken Pottery disse...

Aninha,
Talvez eu ande insistindo muito no tema mas considero discriminação a manifestação mais abjeta da falta de educação. Não consigo aceitar que alguém que leia, estude, seja sensível, admita o preconceito.
Beijão

Então vou contar um fato, para clarear. Não quero aqui julgar ninguém, nem peço que alguém confesse alguma coisa. Cada um deve pensar para sí.

Teve uma época de nossa vida, que estávamos no maior sufoco. Eu e o Valter desempregados, os três meninos pequenos.
O meu último emprego na ocasião, era de auxiliar de DP, hoje RH, aquele não existe mais.
Tinha tido meu quarto filho há alguns meses, a Olivia, que nós a perdemos, e estava desempregada.
Pois bem, sem emprego, fui trabalhar de empregada doméstica, na casa de uma madame. Os meninos precisavam comer.
Ela era professora, dava aulas, e só chegava em casa por volta das 13horas, eu que tinha me levantado às 5hs., nessa hora, já estava morrendo de fome.
Pois bem, ela chegava, preparava o almoço, levava à mesa. Todos da família se sentavam, almoçavam, e só depois, que todos haviam comido, ela fazia meu prato, levava na cozinha, onde não tinha mesa nem cadeira, eu comia em pé encostada na pia. Comia o que havia sobrado. Claro que sempre sobrava o suficiente, mas era a sobra.
Eu não era uma empregada qualquer, porque logo depois do almoço, ela saía para suas obras de "caridade", que madame gosta de fazer, e eu, como tinha um pouco de cultura, ia ajudar seus dois filhos nas lições de casa.
Por causa da necessidade, não falei nada em casa, por uma semana, porque assim que falei, o Valter não me deixou ir mais lá. Palavras dele: mesmo que eu precise pedir esmolas, voce não será mais humilhada assim.
Este exemplo é apenas para pensarmos: não estou excluindo meu empregado, obrigando-o a usar o elevador de serviços?
Não estou permitindo que meu filho ache graça do coleguinha gordo?
E outros mil exemplos mais.
Percebe Lord, como pessoas que lêem, que estudam, que têem cultura, têm enraigado a discrimanação?
Dá prá pensar!

21 comentários:

Lord Broken Pottery disse...

Aninha,
A madame não lia, não estudava e, principalmente, não era sensível. Para mim não tinha educação no sentido mais amplo do significado.
Beijão

Dani disse...

Aninha, um terror esse preconceito!!! Morei num predio uma vez onde queriam obrigar todas as domesticas a subirem pelo elevador de serviço... eu tinha uns 15 anos, tava naquela fase meio rebelde... arranjei uma quizumba no predio!!! Ate abaixo assinado eu fiz!!! Acho um absurdo qq tipo de preconceito!!!
Beijos, Dani

Mário disse...

Tá registrado o complemento, Aninha. Abração, Mário.

Carlinha disse...

Concordo contigo Aninha, mas uso também as palavras do Lord, no comentário aqui... Nem sempre estudo, posição social, indica educação. Já fui tão bem tratada em "favelas", quando trabalhava na rua...
Já fui discriminada quando criança pelos cabelos crespos. Porque criança também sabe ser cruel.
Todos nós devemos nos atentar para isto e não instigar em nossos filhos estes critérios horrorosos de segregação, para que não venham a ser, por melhor que tenham sido "educados", como a tua antiga madame.
Beijos!

O Meu Jeito de Ser disse...

Lord:
Na verdade, tudo nela era superficial. Inclusive a leitura, a educação.
Pobreza era como doença contagiosa, dava medo, só não dava, quando mesmo pobre, alguém lhe servia.
Aliás a palavra é essa, servir,pura e simplesmente.
Um beijo

O Meu Jeito de Ser disse...

É isso aí Dani, cada um fazendo sua parte.
tem coisas que realmente nos incomoda.
A injustiça, sem dúvidas é uma delas.
beijos

O Meu Jeito de Ser disse...

Carlinha, mas realmente aí está o grande problema. Falta de educação.
O Lord, tem toda razão, ele já havia tocado no assunto educação lá no blog dele. E uma coisa está ligada à outra diretamente.
Tudo é falta de educação.
Beijos.

DO disse...

Mais do que educaçõ,isto é uma questão cultural,ANINHA. E vc tem toda razão...
Beijos!!

Mércia disse...

É assim mesmo, infelizmente!!!!
Só lamento esse comportamento!
Bjos...muitas alegrias.

Anônimo disse...

Verdade Aninha, existe preconceito nas miminas atitudes do nosso dia a dia.

Meire disse...

Era eu rs
Verdade Aninha, existe preconceito nas miminas atitudes do nosso dia a dia.

O Meu Jeito de Ser disse...

DO, no fundo temos esperança de que isso mude um dia né?
Um beijo

O Meu Jeito de Ser disse...

Realmente Mércia, é lamentável!
Beijos

O Meu Jeito de Ser disse...

Meirinha querida, mas nós podemos inverter isso.
beijinhos

Lino disse...

Aninha:
Comportamentos como este são de uma estupidez tamanha que não dá para dizer que atrás dele há um ser humano. Mas é muito real, infelizmente.
Obrigado pela sua participação.

Sam disse...

Caráter independe de educação.
Acredito q qto mais estejamos expostos ao preconceito, mais podemos aceitar as diferenças.
Todos somos preconceituosos de alguma forma...ou mais...ou menos, mas é hipocrisia dizer q não temos uma gota sequer de preconceito.
Fazer a diferença é conseguir enxergar esse defeito e tentar, ao menos tentar, arrancar isso da gente.
Adorei seu post e vou voltar sempre aqui.
Beijo

denise disse...

Aninha, é estupidez mesmo, ruindade, egoísmo, achar-se melhor que outro por sua cor, seu dinheiro, sua posição social, por seu gênero, ih, a lista é grande! Não precisa nem morrer, basta adoecer que todos ficam na mesma condição: vulneráveis humanos. E digo mais: fica sem tomar banho e usar desodorante pra ver se é superior, mesmo! É claro que quem é preconceituoso tem clareza de sua posição e a defende por opção mesmo! É maldade no coração e podridão na alma!
Ah, cuida desse pé!Espero que esteja melhor mesmo, viu?
beijo, menina

carolmontone@gmail.com disse...

Ana

Obrigada demais por não discriminar o novo e passar sob meu céu, com palavras tão afetuosas. Volte sempre. Belos posts . Preconceito é ignorância. É a mais pura manifestação da bestialidade egóica....
beijo
Carol Montone

Carol Montone disse...

Ana

Obrigada demais por não discriminar o novo e passar sob meu céu, com palavras tão afetuosas. Volte sempre. Belos posts . Preconceito é ignorância. É a mais pura manifestação da bestialidade egóica....
beijo
Carol Montone

D. Afonso XX, o Chato disse...

Dicriminar é da natureza humana. A diferença está em como cada um lida com essa natureza. Há os que conseguem superá-la na maior parte das suas vidas e há os que sequer se dão ao trabalho de tentar. Esses últimos, infelizmente ainda são a maioria. bjs

Meg disse...

Acho terrível isso, Aninha
No mesmo dia em que vim aqui e comentei, falei menos sobre a discriminação do que sobrte o supense.
Não entendo como o meu comentário não foi gravado. Nem o aqui nem o que fiz lá no seu BEM

Triste para mim
Beijos, queridinha