terça-feira, julho 10, 2007

SEXUALIDADE NA IDADE ADULTA - FINAL

Bem finalizando esse assunto sobre a sexualidade na idade adulta, hoje vai um terceiro caso, que a meu ver é o mais comum, infelizmente.

Recebí do amigo Mário, um comentário, em forma de análise dos comportamentos dos dois últimos casos que achei muito interessante, e resolvi mostrar aqui:

Mário disse...


"Aninha: interessante o paralelo que você traça entre dois casais. Olga e Carlos amadureceram e se adaptaram; Dalva e Luís escolheram caminhos semelhantes em momentos distintos. Faz pensar a respeito do móvel dessas ações. A meu ver: Olga e Carlos se amam; Dalva e Luís se suportam.
Via de regra concebemos a satisfação sexual como o forte atrativo de outra relação mais importante: a união de duas pessoas sob o mesmo teto. O mundo prega isso a todo instante. Defende a insaciável busca pelo prazer pleno. Será mesmo assim?
Por instantes, veja com os meus olhos. Dalva nunca amou verdadeiramente a Luís, criou um vínculo de aparência e suportou a necessidade sexual dele, tal qual aprendera em casa. Um dia despertou para o mundo, já livre das obrigações domésticas que a amarravam aos protocolos. Notou-se mulher, perfumou-se, admirou-se ao constatar sua potencialidade em beleza física e deu aquele trato na embalagem. Para não violar o ensinamento materno, buscou primeiro a satisfação sexual junto ao esposo. Percebeu que ele realmente não a desejava. Olhou ao redor e descobriu quem a desejava como mulher, sem vínculos, por óbvio. Mais uma vez sem amor porque amar não faz parte do modus operandi da mente dela. Sentiu prazer. Gostou. Manteve-se assim. Dupla felicidade: tesão e vingança desferida diretamente contra o marido que sempre a traiu descaradamente. Interessante.
Já o casal Olga e Carlos estão mergulhados em outro universo. Conhecem o amor, a vida não lhes deu muita trégua, como, aliás, nunca dá àqueles que não dispõem de posses materiais imediatas e trabalham para alcançarem alguma estabilidade financeira. No entanto, amor sempre existiu.
Questão básica: qual o objetivo do "casamento"? Satisfação sexual absoluta ou todos aqueles fatores que se associam, inclusive o sexo, tornando duas pessoas tão intimas a ponto de serem indispensáveis uma a outra?
Minha opinião? O corpo amadurece, a pele enruga, o desejo sexual pode arrefecer primeiro em um dos dois, as vezes, contrapondo-se à aceleração do desejo que afeta ao outro. Pensando assim, concluo que casar é mais do que transar. Onde não há empatia verdadeira, companheirismo e solidariedade recíproca não existe casamento efetivo.
Era exatamente neste ponto da minha percepção pessoal que eu pegava a minha malinha e caía fora...rs. Viver uma farsa? Não para mim.
Casamento é comunhão alcançada dentre as inúmeras divergências que marcam os indivíduos. Menos que isso não vale a pena.
É a minha opinião.
Abraços, minha amiga."



Pois bem, o terceiro caso de certa forma segue um pouco a linha de pensamento do Mário.
Cito o caso de Edna e Tarcísio, que são íntimos e conheço bem a história , mas é a história de muitos casais, creio que a maioria. Sempre que converso com as pessoas, percebo que casos como de Edna são os mais comuns.
Eles estão casados há 44 anos, o que existe entre eles já há alguns anos, é apenas carinho.
Ela passou toda sua vida esperando que o marido "sossegasse" o facho, como ela diz.
Nunca gostou do sexo, sempre amou o marido, fechou os olhos para não ver as inúmeras puladas de cerca de Tarcísio, e esperou... Esperou, e hoje se diz feliz, porque o marido está mais tranquilo hoje, já não a trai mais, portanto é só dela.
Fico pensando então, nas diferenças, nas mudanças. Algumas mulheres despertam para o sexo, umas mais cedo, outras mais tardiamente, outras morrem sem descobrir o gosto de um bom envolvimento com seu parceiro.
Eu particularmente credito isso à educação que tivemos. Mulheres não foram criadas para terem prazer, mas apenas para servir.
Servir sempre.
Se casada, servir ao marido, se prostituta servir ao macho que a procura, sem rosto, sem nome, sem nada, apenas servir.
Conheço mulheres que confessam, nunca tiveram coragem de se tocar, de se masturbar.
Qualquer contato físico consigo, bloqueia.
Mas também conheço homens que mudaram o curso da história de vida deles, com carinho, amor e compreensão, foi despertando na companheira, a vontade de viver o novo, de trilhar por um outro caminho, que não fosse aquele da obtusidade. Mostrou que há muito a ser descoberto, e que essas descobertas muitas vezes são valiosas.
E todas as pessoas deveriam ter o privilégio e o direito de conhecer tudo, de procurar uma mudança, acho que nisso reside a felidade também.

10 comentários:

tati sabino disse...

É...acho que é fácil julgar, o difícil é ser a pessoa, estar no lugar dela, viver os sentimentos q ela viveu, as angustias, as lágrimas...eu não julgo ninguém,não atiro a primeira pedra!
Por anos fui radical:
Não trair...
Não mentir...
Não isso, e não aquilo...
A vida me deu alguns "tapas" no meio da cara, e me mostrou q não é bem assim...rs
Hoje sou uma pessoa mais flexivel...
Mas concordo qdo vc diz que se não está feliz, separa!!! Em primeiro lugar: RESPEITO!
Ótima semana!!

Mário disse...

Aninha, querida amiga: muito obrigado pelo carinhoso destaque daquele meu comentário. Mais do que isso, muito obrigado pelo prazer que proporciona a todos os seus leitores ao exemplificar, com estes três casos, as naturais dificuldades que surgem na convivência conjugal. Você nos trouxe sábias lições de vida. Um livro de muitas páginas sobre o tema não alcançaria o mesmo efeito atingido pelos casos que você narrou para nós. São exemplos vivos e deles emergem lições significativas. Parabéns!
Concordo com o comentário da Yvonne (via HaloScan)em gênero, número e grau.
Penso bastante sobre os incidentes da vida conjugal porque, como você sabe, advogo na área de família e assisto todos os dias o desfile desses casos práticos: vejo casais que se amam separarem-se; vejo casais que nunca se amaram romperem o relacionamento tão logo descubram essa verdade.
Tive a alegria de evitar duas separações justamente quando os separandos estavam na minha frente para assinarem os documentos que viabilizariam o divórcio. Não fiz mágica alguma, apenas mostrei-lhes que, na realidade, amavam-se e não sabiam como demonstrar isso um ao outro.
Gosto mesmo desse tema...rs.
Sabe, Aninha, aprendi que o maior malefício da vida conjugal resume-se em buscarmos no outro, por força do nosso idealismo somado a carências pessoais, a felicidade que ainda não encontramos em nosso interior.
Para proporcionar felicidade a alguém necessário se faz que busquemos primeiro a nossa felicidade individual. Nenhum ser neste mundo é capaz de encontrar a própria felicidade no sorriso alheio. Felicidade real é conquista interior. Podemos complementá-la associando-nos a outra pessoa, mas não seremos felizes apenas por identificarmos a realização pessoal do outro. Naquele outro ser reside a felicidade dele e não a nossa. Outro dia disse para ela mais ou menos isso: "podemos associar a minha e a sua luz interna e seremos um holofote ou podemos continuar iluminando sozinhos as nossas estradas." Se eu for buscar a minha luz nela, sem chance! A minha luz é minha, a dela é dela e nunca será minha. Luz representa o grau de satisfação interna de cada um dos partícipes do casamento.
A minha satisfação pessoal pode juntar-se à de outrem, mas não pode ser transferida para outra pessoa por mais especial que ela me pareça ser.
Se algo um ser é capaz de alcançar em termos de felicidade conjugal, qualquer um de nós, mais não é do que uma bela parceria de sucesso.
Noivos deveriam primeiro aprender a ser parceiro um do outro.
Existem hoje inúmeras separações formais(o que assusta aos religiosos) e ainda maior número de separações veladas (admitidas pela igreja e convertidas em sacrifício de amor). Sempre me perguntei qual a diferença de separar-se no fórum ou dormir no outro quarto da mesma casa. Não vejo nenhuma diferença, exceto o masoquismo, presente na segunda ação, a qual condena duas pessoas a interpretarem personagens perante terceiros. Condena-as, ainda mais, a renunciarem à realização conjunta substituindo tudo por artificialismos.
O ser humano não deveria se sujeitar ao sofrimento compartilhado e sim buscar, com afinco, a plenitude conjugal.
Quando você se reporta a este terceiro caso bate aqui uma tristeza muito grande: senti que Edna se conformou com o seu título de posse passional conquistado ao longo de muitos anos de sacrificante convivência.
Pode até ser válido, talvez eu é quem não compreenda o mérito desta atitude. Entretanto, a meu ver, denota o mesmo que abandonar a batalha porque não há mais munição.
Títulos de posse passional, representados por aliança no dedo da mão esquerda ou documento lavrado em cartório, podem justificar-nos diante de todos menos converter vazios internos em realização interior. Olhamos para a Certidão de Casamento e sorrimos satisfeitos. Olhamos no espelho de nossas almas e sentimo-nos covardes.
Forte Abraço, amiga.

Lord Broken Pottery disse...

Aninha,
Tendo mais a aceitar a opinião do Mário. Não julgo, não tenho religião, acho que cada um é dono do próprio nariz, pode fazer o que bem entender. As relações humanas são muito complexas, dinâmicas, o que acontece hoje pode ser diferente amanhã. O amor também passa por fases. Basicamente, para que um casamento dê certo, é preciso respeito. Respeitar significa preservar o outro. Todos temos direito à nossa vida interior, aos nossos sonhos, delírios, só precisamos ser amigos do nosso companheiro. Amigo não fere, não agride, não magoa, pelo menos não de propósito. O sentimento maior de um casamento, para mim, tem que ser o da amizade. Minha mulher, antes de qualquer coisa, é minha melhor amiga. Eu, na medida do possível, luto para não ferir meus amigos. Procuro ouví-los e entendê-los. Talvez seja por aí. O casamento (hoje completo 25 anos de casado) sólido tem base no entendimento, na amizade, no companherismo. O resto é importante, mas é complemento.
Beijão

valter ferraz disse...

More,
interessante isso. Se tivesse lido tudo isso a alguns anos minha opinião seria uma. Hoje,diverge totalmente do que pensei. Gostei muito do que disse o Mário. Nos dois comentários. No primeiro que virou post e no segundo também.
E o Lord, usou as mesmas palavras que eu uso. Sabes desde sempre que você é a minha melhor amiga, antes que tudo.
Um beijo grande

ps: ao Lord, os parabéns pela longevidade do casamento. Nos dias de hoje, não é pouca coisa.

Rosamaria disse...

Anna

Depois desses comentários em que concordo plenamente,pouco resta a dizer.

Felizmente tenho 42 anos de casada e, embora o sexo não seja como antigamente, ainda nos satisfazemos mútuamente. Passamos por todos os tipos de dificuldade e conseguimos dar a volta por cima.

Teus post foram ótimos!

Bjs.

Mônica Montone disse...

E por incrível que pareça, Aninha, apesar de toda a banalização do sexo nos dias atuais, esses assuntos ainda são tabus e muitas mulheres padecem a falta do prazer......

Beijos, flor e uma ótima semana

MM

Renata disse...

Aninha passa lá no DD para pegar seu prêmio, tá...bjos!

simone disse...

Aninha parabens pela coragem de abordar um tema como este. A conclusão de seu amigo fecha com chave de ouro o assunto. Eu acredito que se outros homens e mulheres pensassem dessa maneira não teriamos tantos casamentos destruidos. Eu acredito que um casamento deve estar alicercado no amor, respeito de um conjugue com outro. Sexo seria como que um momento de festa uma confraternização de algo mais que ja existe. E muito bom e significativo para esposa saber que é amada, isso contribui para que ela esteja mais preparada para o ato sexual. Mas muitos homens desconhecem as diferenças entre ambos os sexos, e por vezes cobram uma frequencia ou melhor desempenho da companheira que esta não pode conceder. Muitas mulheres se sentem escravizadas emocional e sexualmente e estas como voce mesmo disse os servem, mas desenvolvem rancor, e raiva em seus corações, por se sentirem apenas como objetos de prazer do parceiro. E talvez a midia e o liberalismo pregado nos meios de comunicação sejam grandes incentivadores da busca de prazer a qualquer custo. Muitos jovens entram para o casamento pensando em tentar um casamento e se não der é so separar e deixam de desenvolver a maturidade que um relacionamento a dois exige, quando encontram as primeiras diferenças pulam fora.
Deveriamos discutir mais assuntos como esse, ate mesmo para ajudar outras mulheres e homens a entrarem mais preparados para o casamento que é muito mais que a união de corpos.

Beijos

Kith disse...

Seja na juventude, idade adulta ou terceira idade, a mente humana está em constante mudança.
O que eu via como certo ontem já não é o melhor hoje....
Beijos

Kith disse...

Oi, amiga.
Não tenho nada do Amos Oz por aqui, sinto muito.
A preguiça continua. Quando passar, aviso. rsss
Por enquanto pode ir na minha página de fotoblog, que tem coisas interessantes. (http://kith.nafoto.net)
Beijos